Os anos 50 representaram um momento de profunda transformação na estrutura urbana de São Paulo, pois sua economia se fortalecia e a cidade preparava-se para a condição de grande metrópole. O superávit da balança comercial ocorrido nos anos pós-guerra fez com que ocorresse um verdadeiro boom no mercado imobiliário da capital paulistana.
São duas características marcantes desta época: expansão da malha urbana e uma acelerada verticalização com adensamento populacional da área central. Convém salientar que desde décadas anteriores a cidade já ampliava seus limites, principalmente após a implantação do plano de avenidas de Prestes Maia. |
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A intensa verticalização, porem, é um processo que tomou impulso na década de 50, quando se adota o paradigma de “verticalização americano”, com a liberação do gabarito máximo nos edifícios. Nesta época surgem as kitchnettes, unidades baseadas num único espaço multifuncional e os edifícios tinham como característica principal o uso do pavimento térreo com comércio ou serviços e uma grande quantidade de apartamentos, algumas vezes de tipologia variada, nos andares superiores, os chamados “edifico-conjunto”.
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O edificio-conjunto e a unidade mínima de habitação são conceitos herdados da arquitetura moderna. Estes princípios de existensminimum, com as áreas comuns interagindo com a cidade, foram perfeitamente aceitos pelo mercado imobiliário explosivo dos anos 50. As kicthnettes lançadas no mercado eram rapidamente vendidas e os incorporadores tratavam de pressionar o poder público para se mudar a lei e estas fossem aprovadas como unidades de moradia. Antes os prédios com kitchnettes eram aprovados como hotéis e, posteriormente, seu uso modificado para o residencial. O COPAN foi a primeira experiência neste sentido, pois suas kitchnettes foram aprovadas como residenciais, já aproveitando-se da mudança na legislação. Projetando neste momento de crescimento e transformação da capital paulistana pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o COPAN, por sua monumentalidade estrutural, programa variado e forma arrojada , pode ser considerado um dos símbolos de grandiosidade da cidade.
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Sua construção deveria ser uma homenagem da Companhia Panamericana de Hotéis, que encomendou o projeto, ao IV centenário de São Paulo.
No ambicioso projeto inicial o conjunto era composto de dois edifícios, um para hotel com 600 apartamentos e o outro residencial, que deveriam ser ligados por uma marquise abrigando lojas, teatro, cinema, passeios, áreas de convívio e praça interna. Este primeiro estudo foi publicado em 1952 na revista Láchitecture d´au lourd´hui com o edifício de apartamentos mais baixo que o hotel e sem os brises. No final da revista uma pequena nota alertava para as modificações de projetos e já apresentava a atual configuração do edifício de apartamentos com brises horizontais bem como o hotel, também com brises, mais baixo que o prédio residencial.
O hotel não foi construído. Inicialmente o edifício residencial deveria ter 900 apartamentos, mas dois blocos, que teriam amplos apartamentos de 4 dormitórios, foram redesenhados para kitchnettes e apartamentos de 1 dormitórios.Hoje o COPAN tem 1.160 apartamentos distribuídos em 6 blocos e área comercial no térreo com 72 lojas além de cinema que é ocupado por igreja evangélica. Entre a área comercial do térreo e a torre de apartamentos existem dois pavimentos intermediários, um onde funciona o escritório da companhia Telefônica e outro que o condomínio utiliza para exposição e eventos. O bloco A tem 64 apartamentos de 2 dormitórios, os blocos C e D tem 128 apartamentos de 3 dormitórios e os blocos B, E e F tem 968 apartamentos tipo kitchnettes e de 1 dormitório. O edifício possui 20 elevadores no total e 221 vagas para automóveis em 2 subsolos.
A obra que ficou a cargo da Companhia Nacional da Industria da Construção (CNI), foi iniciada em 1945 mas somente em 1953 o alvará de construção foi obtido e os serviços de terraplanagem começaram. Após alguns problemas financeiros como a intervenção federal no Banco Nacional Imobiliário e a falência de investidora Roxo Loureiro S.A, primeiros incorporadores do empreendimento, a obra interrompida varias vezes. Em 1957 o Banco BRADESCO comprou os direitos de construção e em 1961 as partes de alvenaria e concreto armado foram concluídas.
A forma sinuosa do COPAN quebrando ângulos retos do centro da capital paulista tem a marca de seu criador. O gosto pela linha curva é uma das principais características da obra de Oscar Niemeyer que escreveu: “não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível... o que me atrai é a curva livre e sensual...” (Niemeyer, 1998). O brise soleil utilizando serve, além de proteção solar, para enfatizar a fachada ondulada. Este recuso já tinha sido usado Niemeyer antes no edifício Montreal, também na cidade de São Paulo.
Mesmo surgindo num período em que seu autor foi convocado para realizar alguns projetos de caráter imobiliário na capital paulista, o diferencial do edifício fica evidente quando ele destaca |
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“...o COPAN, que com sua longa e sinuosa fachada constitui hoje um dos atrativos da arquitetura paulistana...” (Niemeyer, 2000). Também segundo Oscar Niemeyer “... o COPAN é um edifício muito bonito... um dos mais belos projetos que fiz” (revista Urbs, 1997, n. 1 p. 10 ).
Citado no Guinness Book – O dos Recordes como o maior edifício residencial da América Latina (jornal O Estado de São Paulo, 16/05/1997, sup. Seu Bairro, pág. 09), o COPAN constituiu-se na maior estrutura de concreto de São Paulo. Contando com uma impressionante área construída de 116.152 m2, é um excelente exemplo de inserção da forma livre sobre o tecido urbano consolidado do centro da cidade (revista Urbs, 1997, n. 1 p. 12).

Colaboração :
Arquiteto:
WALTER JOSÉ FERREIRA GALVÃO
Mestrando do Departamento de Tecnologia da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
Síndico/Adm:
AFFONSO CELSO PRAZERES DE OLIVEIRA
Curiosidades :
- O Copan tem a maior estrutura em concreto armado do País - foram utilizados até 400kg por m³. O cimento utilizado nas brise- soleil ( lâminas horizontais que aparam os raios solares) seria suficiente para construir um prédio de dez andares
- O Copan está protegido pela lei Z8-200-019 . Ou seja, o imóvel possui caráter histórico
ou de excepcional valor artístico, cultural e paisagístico, destinado à preservação.
- Os menores apartamentos ficam no Bloco B, onde há 20 quitenetes de 26m²
- O cinema do Copan, no projeto original, previa a lotação de 3.500 pessoas